Artigo: Coronavírus e os impactos comerciais: uma visão de Inteligência de Mercado
Publicado em 06/03/2020
Autor: Daniela Ramos Teixeira
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O novo coronavírus 2019 segue pressionando os mercados. Há uma aposta que o problema será passageiro, mas os riscos estão aumentando para o mercado, pois não há sinais de contenção dos avanços do surto na China. O vírus já causou mais de 3.000 mortes e o número de infectados chega próximo de 80.000 pessoas até o início de março de 2020.

Já há impactos comerciais e repercussões globais, situação que deverá afetar a exportação brasileira.

Vamos aos fatos: Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ofereceu ajuda à China para controlar o surto de coronavírus. As bolsas de ações caíram em nível mundial, os preços do petróleo atingiram patamares mais baixos e o iuan, moeda chinesa, também sofreu redução com a chegada do surto.

Os investidores estão preocupados com os danos à China, segunda maior economia do mundo.

Já há uma grande disrupção na economia chinesa por conta desse surto e a China vem operando em ritmo abaixo do normal. Empresas do país têm alertado seus funcionários para que trabalhem home office como medida necessária para auxiliar na prevenção e controle do surto. A fabricante de smartphones Xiaomi, uma das maiores em nível mundial, fechou lojas na China; ação programada até o início de fevereiro.

Avaliando o Brasil, a China é o maior parceiro comercial do país no mundo desde 2009, quando tomou esta posição dos EUA. Segundo dados do Ministério da Economia, em 2018, o comércio com a China foi de US$ 98,6 bilhões, com superávit para o Brasil de US$ 29,2 bilhões.

A China também é um forte investidor na economia brasileira e, junto com o Japão, possui um estoque de investimentos de US$ 100 bilhões em setores como o de telecomunicações, energia e óleo e gás natural.

Os minérios e o petróleo também englobam as relações comerciais entre os dois países, sendo que o mercado chinês impulsionou o crescimento do agronegócio brasileiro.

Para os grandes produtores de proteína animal do Brasil, o surto de coronavírus poderá aumentar a procura por alimentos produzidos pela indústria brasileira, principalmente nos países asiáticos.

Em situações como essa poderá haver uma maior demanda por segurança alimentar e aumentar o volume de compra e, consequentemente, os resultados de grandes produtores como a BRF, Marfrig e JBS.

É fato que há um risco eminente do problema se tornar mais grave. É importante que as áreas de Inteligência de Mercado (IM) nas empresas criem avisos de alerta (early warnings), independente se irá ter seus resultados aumentados ou reduzidos.

Como pode ser feito? Monitorando as notícias e outras mídias como vídeos, redes sociais.

Importante lembrar que o trabalho de IM não é apenas copiar e colar notícias e enviar para o executivo. O profissional tem que avaliar o que está acontecendo e irá agregar se fizer algum comentário ou uma breve avaliação dos impactos para o negócio da empresa, por exemplo. Será que a situação avaliada irá afetar muito os negócios da empresa, médio ou pouco? E quais são as razões desse impacto identificado.

Muitas vezes, as empresas não negociam diretamente com empresas chinesas, mas seus fornecedores, sim, e todos os níveis da cadeia podem ser impactados. Está na hora dos profissionais de Inteligência de Mercado agirem e mapearem também esses possíveis fornecedores e se há substitutos do mesmo nível.


Referências Bibliográficas e informações adicionais:

https://saude.estadao.com.br/noticias/geral,novo-coronavirus-ja-infectou-mais-de-80-mil-pessoas-em-todo-o-mundo,70003209496

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/03/03/morre-mais-um-medico-com-coronavirus-no-hospital-de-wuhan-na-china.ghtml

https://www.gov.br/planalto/pt-br/acompanhe-o-planalto/noticias/2019/11/china-e-maior-parceiro-comercial-do-brasil-no-mundo

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2020/01/27/novo-coronavirus-se-espalha-trump-oferece-ajuda-a-china-e-mercados-se-agitam.htm

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/01/frigorificos-acreditam-que-coronavirus-pode-aumentar-exportacoes-brasileiras.shtml

https://www.youtube.com/watch?v=Bx4XHdTBM8E



Daniela Ramos Teixeira é CEO e fundadora da REVIE Inteligência Empresarial, empresa de consultoria, processos, mentoria e capacitação em Inteligência Empresarial e Inteligência Competitiva/Inteligência de Mercado, Marketing e Vendas. Trabalha com Inteligência aplicada aos negócios desde 1999, tendo ajudado mais de cem empresas de diferentes portes e setores.

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